Gostei muito do depoimento de Antonio Candido, crítico literário e ex-professor de Teoria Literária na USP. A sua visão em relação a produções literárias que abrange o conhecimento e percepção do mundo me chamou atenção. Não desmerecendo outros depoimentos, mas Candido com toda sua vivência e experiência nos mostra o quão é importante o estudo literário para a formação de seres pensantes e com a visão mais ampla do mundo em todos os aspectos. Meu depoimento de leitura e escrita que ficou em minha memória eram as obras de Monteiro Lobato, eu lia, reescrevia e ilustrava em forma de quadrinhos. Aquilo era o momento mais prazeroso na minha infância, pois achava que estava brincando.Brincando de faz de conta.
Hoje, sou o resultado de minha leituras.
A Literatura é responsável pela formação de minha personalidade, de minha formação moral e emocional. Acredito nisso uma vez que percebo certa mudança de comportamento diante de uma nova leitura. Faço minhas as palavras de Antonio Candido e Rubem Alves quando associam a leitura à antropofagia e à humanização. É isso.. "digerimos" a essência do livro, juntamos ao conhecimento já adquirido e nos humanizamos, cada vez mais e melhor.
Lembro-me de minha primeira experiência com a leitura... ganhei um livro de presente "para parar de ler placas e outdoors" ... Chapeuzinho Amarelo amarelada de medo, tinha medo de tudo, aquela chapeuzinho já não ria, em festa não aparecia, não subia escada nem descia, não estava resfriada mas tossia, ouvia contos de fada e estremecia... Li tanto até memorizar . Tinha 6 anos, mas conto toda a história hoje se a mim for solicitada, mesmo nunca mais tendo visto, lido ou mesmo procurado este livro. Mas eu queria mais. Então minha mãe fez um cadastro na Biblioteca Municipal de Santo Amaro e, semanalmente, se deslocava de ônibus para emprestar um novo livro. Eu, sedenta de conhecimento, voltava lendo no ônibus e terminava antes mesmo de chegar em casa. Minha mãe, leiga na época, levou-me ao médico a fim de que descobrisse porque eu lia tanto, o dia inteiro. Ainda que matriculada no ballet e na natação, lia o tempo todo.Hoje, sou o resultado de minha leituras.
Achei muito interessante o depoimento da Professora de Filosofia da USP, Marilena Chauí, pois para mim o livro é exatamente como ela descreveu, porque abre portas para mundos novos, ideias e sentimentos. A partir dele fazemos descobertas sobre os outros e sobre nós mesmos.
O livro nos permite descobrir nossos próprios sentimentos, através dele os tempos se misturam, conversam, porque o presente volta ao passado, este conversa com o presente para juntos descobrir o futuro.Valéria Anésia Brumatti Jacon8 de junho de 2013 16:49
O livro nos permite descobrir nossos próprios sentimentos, através dele os tempos se misturam, conversam, porque o presente volta ao passado, este conversa com o presente para juntos descobrir o futuro.Valéria Anésia Brumatti Jacon8 de junho de 2013 16:49
Depoimento: O depoimento que mais me chamou a atenção dentre tantos tão igualmente ricos foi o de Marilena Chauí ao dizer que "como leitores descobrimos nossos próprios pensamentos e nossa própria fala, graças ao pensamento e à fala de um outro". Isso, para mim, é um fato de muita verdade, pois, quando, às vezes, ao ler algo, me pego dizendo:“É exatamente isso que eu penso” e, eu mesma, não havia conseguido traduzir os meus pensamentos nem tampouco minha própria fala. Por isso, ler é enriquecedor demais, é ganhar muitas e tantas vezes vida à sua própria. E a continuação da sua fala "Ler é suspender a passagem do tempo..." este pequeno trecho remeteu-me a um momento de minha infância, quando estava aprendendo a escrever, onde ganhei, da minha mãe, uma caixa de lápis de cor, um caderno, um lápis grafite e uma borracha nova novas – fiquei encantada! – o cheiro dos lápis e da borracha até hoje não me saem da memória! Quando pego algum lápis ou borracha novas corro a sentir-lhes o cheiro e todas as boas lembranças daqueles momentos de pintar, escrever e apagar me vem claramente à memória! Que felicidade eu sinto!
